


Foi lendo a um texto do blog sindromedeestocolmo.com que soube que a TRITON, uma marca muito conceituada, foi proibida de veicular imagens de seu editorial pois elas foram consideradas ofensivas, algo que fazia apologia à violência de sexo. Eu poderia explicar o que essas imagens querem dizer, mas vou colocá-las para que tirem suas próprias conclusões. Eu tenho certeza que para muitos a primeira coisa que se passará pela cabeça será: NADA A VER. EU achei uma dose de exagero ao ler a notícia superficialmente, mas, ao menos pra mim, ver as fotos me fez concluir que foi um trabalho de muito mal gosto. Eu nunca o aplaudiria. E é nesse ponto que quero chegar. Sei que quem foi contra isso, sobretudo gente ligada ao meio da moda, deve estar com a boca cheia para falar em liberdade artística, liberdade de expressão, para falar que quem censurou não entendeu. Mas eu, embora ache justo e necessário essa proibição, queria olhar as coisas por outro ângulo – também. Queria entender o porquê. Por que é necessário censurar e tirar isso da mídia, por que pessoas tiveram que denunciar? Por que a gente e geral não é capaz de filtrar isso sozinha? É comum que Editoriais artísticos joguem com a questão de domínio sexual. Mas não se pode perder a linha tênue entre isso e mal gosto. Porque eu estou falando de mal gosto, antes de crime, de absurdo, que é.Basta bater os olhos pra ver que aquilo é violento e ofensivo. No entanto é aplaudido. A própria TRITON não reconheceu seu erro, como eu pude ver no blog, tentou justificar o injustificável. Abre aspas para o que foi dito: “uma campanha de visão artística e sem qualquer tipo de apologia à violência contra a mulher. Justifica ainda que a tendência mundial de provocar o público com imagens que brincam com tabus e estereótipos ganha as páginas das revistas de moda mais conceituadas do mundo, obtendo resultados razoáveis.”
Eu não entendo nada de moda e de modo geral procuro lembrar da minha falta de conhecimento antes de criticar, pois sei que há um mundo de estéticas, técnicas e profissionais que desconheço. Mas, honestamente, é preciso fazer isso pra vender roupa? A VOGUE e tudo o que é importante acha bonito esse tipo de ensaio e é assim que as marcas tem que se comportar? Esse visão livre e artística que não me pertence é tão diferente assim?
Em outra palavras: A vogue e toda a arte que não compreendo é tão subjetiva e diferente que ser provocativo e moderno é ser isso\ Desculpem, a mim parece primitivo e vergonhoso. Desnecessário. Parece absurdo o fato de que coisas como essa pareçam arte moderna, que quebre o óbvio, que provoque. Há muitos, muitos outros jeitos de provocar. De provocar com inteligência.
Esse mundo é tão diferente assim que compreende violência-crime como tabu e estereótipo?
Eu realmente, mesmo tentanto ponderar e me colocando no meu papel de leiga acho que não. E acho que é um atentado ao meu cérebro dizer o contrário. Isso é absurdo, é adestrar pessoas pra engolirem qualquer coisa. Isso é fato e não preconceito para quem enche a boca pra dizer que o mundo da moda é inútil e de gente burra.
A proibição pra mim foi justa. Já engolem muito isso lá fora. Não precisamos engolir no Brasil. E se eu tivesse que fazer um pedido pra 2011 agora, seria que nós tivéssemos mais discernimento pra não engolir tudo o que está na nossa frente, pra olhar nas entrelinhas, pra saber de onde vieram nossos conceitos de belo e legal. Para revê-los.
Toda a estrutura de publicidade que tem uma marca, deve tratar bem da sua imagem para agradar seu público. E isso se molda pelos interesses do público. Se a visão feminina se abre e muda, eles são obrigados a mudar.
Um ótimo ano novo!
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