Parem de falar em desgraças naturais como se não fosse com a gente. Como se fosse culpa do capitalismo, das grandes empresas. Porque nós aceitamos essas grandes empresas. Nós queremos o máximo de divisão social possível, com uma vontade avassaladora de ficar na parte de cima dessa divisão. Esquecendo que alguém sempre terá que ficar embaixo. Ignorando isso. Além do que, este não é o caso. Parem de fantasiar o fim do mundo. Pior do que o fim é a realidade caótica. É não matar e deixar sofrendo. As placas tectônicas se chocam como sempre. O sol brilha como sempre. E isto somente continua a acontecer. Um terremodo pode ser o mais forte do mundo e ninguém nem ficar sabendo porque aconteceu no deserto do Saara. Ou ninguém morrer porque aconteceu no Japão, que de terremoto entende e é bem acostumado. Não houve desgraça natural. Não houve o maior terremoto da história. Houve a resposta ao nosso descaso. Com o que sempre era desgraça. Com o sofrimento, com tudo o que não parece humano. TUDO. Foi só uma resposta, a todos os avisos para os quais tapamos os ouvidos e fechamos os olhos. No Haiti quase ninguém tem água encanada. Quase ninguém tem energia. Quase ninguém tem emprego. Quase ninguém tem dignidade, DESDE ANTES do terremoto. Que veio selar, assinar o atestado de exclusão do país. Por responsabilidade nossa. Não há por que inventar um desespero e criar questões do tipo ‘o que está acontecendo’? Isso nunca foi visto! Porque é mentira. Porque não foi a natureza quem foi malvada conosco. Não foram desastres maiores. Foram áreas sucetíveis à desastres que hoje são maiores. E tendem a crescer. Áreas excluídas. Pra que serve um livro onde se tem comida? Onde fica a beleza dos direitos humanos onde sempre se foi segregado? É difícil fazer alguém desligar o ar condicionado? Muito difícil? Imagine então o quão difícil é fazer alguém deixar de desmatar uma área pra criar gado, vender e ter O QUE COMER. O resultado são vários mundos dentro de um só. Um monte de prédios frágeis, que caem com qualquer tremor, que não deviam ser construídos, mas que são. E essas empresas que constroem ilegalmente fazem a festa, porque o povo não tem opção. Essas empresas estão na parte de cima da divisão que insistimos em fazer do mundo. Junto com outras pessoas. Junto com as pessoas que tem dinheiro, posse de armas e tudo o que seja agressivo (agressivo = poder, não há poder de conhecimento, nem nada mais). Essas mesmas pessoas vão pegar todas as toneladas de alimento que são jogadas em campos abertos, caridade dos países desenvolvidos e solidários. SE nem todo mundo tem acesso á água, energia, educação. Nem todo mundo vai tê-los após uma desgraça. É claro que isso vai continuar na mão de uma minoria. Mesmo que tenha para todos. Nossa especialidade é concentrar. Se tiver muito a gente concentra mais e mais. Para que só uma minoria tenha acesso à isso. Enquanto isso acontece os países onde existe um monte de casas com jardim na frente e banho de mangueira para filhos limpos e saudáveis, se estapeiam para “ajudar”. Para decidir quem vai dar mais e primeiro. Quem vai ter mais espaço na mídia. Quem vai, no fim das constas, poder dizer que ajudou.
Quantos Haitis existem no planeta? Quantos são aqui?
1 comentários:
eu adoro seus posts, super verdade o que você falou mas hoje em dias as pessoas só se preocupam com elas mesmas e o resto que se dane.
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